Gestantes pagam taxa extra para parto

Em muitos casos, as pacientes só estão sendo informadas sobre a cobrança no final da gestação.

Nos últimos meses, o sonho de muitas mulheres em acompanhar o nascimento do próprio filho através do parto natural tem se tornado um pesadelo. Isso porque os obstetras não estão realizando o procedimento pelos planos de saúde por conta do baixo valor pago. Caso as gestantes queiram realizar o parto normal, são obrigadas a pagar uma "taxa extra" ao médico. Em muitos casos, as pacientes só estão sendo informadas sobre a cobrança no final da gestação. Esta situação foi relatada à reportagem por pacientes que preferiram não revelar a própria identidade, nem a do médico que pratica tal cobrança.

 

A negativa dos especialistas em realizar o procedimento pelos convênios vem causado medo, desconforto e insegurança para as gestantes, já que o nascimento de um filho é um momento delicado na vida de toda mulher e muitas preferem dar à luz com o profissional que a acompanhou durante toda a gestação. Por conta das exigências, muitas gestantes, mesmo possuindo planos de saúde, estão sendo conduzidas a fazer cesariana, já que não dispõem de condições financeiras para pagar o valor cobrado diretamente pelo profissional, e por fora do plano de saúde.

 

O médico e membro do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), Otávio Marambaia, informou que de acordo com código de ética do artigo 61 é proibido ao médico deixar de ajustar previamente com o paciente o custo estimado dos procedimentos. Ou seja, para um médico obstetra se recusar a realizar um parto pelo plano de saúde, ele deve informar sobre a cobrança ao paciente desde o primeiro dia de consulta. Se a mulher tiver interesse em que este obstetra a acompanhe em todas as etapas da gestação (inclusive no parto), ambos poderão firmar acordo fixando valor para que a disponibilidade obstétrica aconteça fora do plano de saúde. O pagamento gerará recibo que poderá ser usado em pedido de ressarcimento junto às operadoras.

 

Em relação aos médicos que continuam cobrando do plano de saúde, além de uma taxa extra das pacientes, ele ressalta que a cobrança é irregular. "é antético cobrar do paciente e da operadora. O honorário do médico não pode ser custeado parte pelo plano de saúde e parte pela paciente", argumentou.

 

Uma publicitária que preferiu o anonimato, contou que passou por quatro obstetras para conseguir realizar o parto normal do seu primeiro filho. Ela disse que quando foi informada pela primeira vez que teria que pagar uma taxa extra, ficou decepcionada. "O sonho de muitas mães é poder sentir o nascimento do seu bebê. Pagamos planos de saúde caro e não podemos realizar o sonho de ter o filho de parto natural. Onde está o amor a medicina desses profissionais?", questionou.

 

Segundo especialistas, a cobrança ocorre porque não vale apenas para o médico permanecer entre 6, 12 ou até 24 horas a disposição de uma paciente, por conta dos baixos valores pagos pelos planos de saúde. Uma obstetra que preferiu o anonimato, explicou que a realização de um parto pelos planos de saúde realizado em enfermarias de hospitais particulares de Salvador custa em média R$ 400, sendo que em apartamentos vária de R$800 a 1.200. Valores que segundo ela, não compensam ao profissional por conta da disponibilidade de tempo, sendo que muitas vezes o médico deixa de ir ao consultório, além de realizar procedimentos em outros hospitais para atender apenas uma paciente.

 

Questionado sobre os valores altos que muitos médicos cobram de pacientes particulares, Marambaia informa que não há nenhuma ilegalidade desde quando ambas as partes estão de acordo com o valor. O médico ressalta ainda que, caso alguma paciente usuária de planos de saúde tenha se sentido lesada por algum especialista no momento do parto, que realize uma denúncia junto ao Cremeb. O órgão funciona de segunda a sexta, das 18 as 18 horas.

 

Fonte: www.tribunadabahia.com.br

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